
NOTAS TIRADAS DA INTRODUÇÃO: A SINFONIA DO MAL de Tomás Eloy Martínez "O artista só é responsável perante sua obra. Se for um bom artista, será completamente desumano. Ele tem um sonho, e esse sonho lhe provoca tamanha angústia que deve se livrar dele. Enquanto não o fizer, não terá paz. Joga tudo pela janela: honra, orgulho, decência, segurança, felicidade, tudo. Tudo para escrever seu livro". Disse Faulkner em uma entrevista à The Paris Review. Na obra de Fonseca, não há consciência política nem desolação moral, só a pura e simples condição humana entregue a sua incredulidade e sua desolação sem esperança. Seus personagens habitam um mundo anterior a Deus, ou no qual Deus é indiferente, ou quem sabe um mundo em que Deus é desnecessário. Sem pecado, nem culpa, nem nada além de um incessante Mal inocente. Que mal pode fazer o Mal quando não passa de mais uma vibração da natureza, como a água, o ar e o impulso sexual? Se o Mal é uma ocupação, um trabalho, uma distração, uma pequena chama que arde à toa no deserto da vida cotidiana, quem se importa com a transcedência do Mal? A única moral que rege seus personagens é saciar a si mesmos, o personagem sabe por que faz o que faz, mesmo que o leitor fique de fora, pasmado. Não porque o texto deixe algo sem explicação ou porque a clareza se perca no caminho, mas porque respiramos a sua atmosfera tóxica e não nos damos conta. O leitor contempla fascinado um absurdo feito de omissões e de silêncios que só os personagens entendem.