O nosso objecto de estudo seria, portanto, a organização e a prática da guerra em Portugal durante o período anterior ao das Guerras Fernandinas, observadas, como havia já sido feito por João Gouveia Monteiro, numa perspectiva de “história da guerra total” e não apenas num plano puramente marcial, da estratégia e da táctica. De facto, como sublinhava Robert L. O´Connell, num estudo sobre as raízes sociológicas dos conflitos militares, a guerra “não é simplesmente violência armada. É antes uma instituição específica, premeditada e dirigida por uma forma de estrutura de governo; ligada com questões de natureza social e não individual; envolvendo a participação (ainda que nem sempre entusiástica) dos combatentes e que pretende obter resultados duradouros e não efémeros”. É esta instituição e as suas principais vertentes que procuraremos compreender melhor ao longo deste trabalho.