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A Filha do Arcediago
1854
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Camilo Castelo Branco, visconde de Correa Botelho (Lisboa, Portugal, 16 de Março de 1825 – Vila Nova de Famalicão, Portugal. 1 de Junho de 1890), romancista, cronista, dramaturgo, historiador, poeta, foi um dos autores mais prolíferos da literatura portuguesa do século XIX. Numa sociedade que não dispunha de um número expressivo de leitores, nem os direitos autorais estavam ainda reconhecidos, Camilo teve que escrever muito, razão pela qual é o primeiro escritor português a viver do seu ofício. Em geral, a crítica tem classificado a produção camiliana em duas a novela passional e a novela satírica de costumes. Dentro da segunda categoria enquadra-se o romance A Filha do Arcediago, primeiro volume das “Cenas Contemporâneas”, subtítulo a indicar que Camilo, tal como Balzac, tinha a intenção de construir, no plano literário, amplo painel da sociedade portuguesa. A primeira edição da obra saiu em 1854, sendo a terceira, de 1868, publicada pela editora de Cruz Coutinho, do Porto. Como de costume, A Filha do Arcediago faz-se apresentar por um prefácio (não assinado por Camilo) no qual a voz autoral, no intuito de captar a credibilidade do leitor, usa do velho chavão ao declarar que tudo o que escreveu foi-lhe “contado por uma respeitável senhora”, que promete elevá-lo “à importância de escritor verídico, num género em que todos os meus colegas mentem sempre”. Difícil seria resumir o enredo da novela camiliana, tantas são as digressões e reviravoltas por que passa A Filha do Arcediago, narrativa por meio da qual o autor faz crítica ferina, mesclada de humor e ironia, à sociedade portuense do início do século XIX. A história foi construída com os ingredientes ficcionais que visavam à satisfação do leitor de padres amancebados, filhos bastardos, clausura em convento, casamentos forçados, separações e reaproximações dos casais enamorados. Paralelamente ao desenrolar de uma história conhecida do leitor, de que participam personagens-tipo do romance rocambolesco, Camilo incha a narrativa com digressões de carácter metalinguístico, a incidir sobre os recursos técnicos de que o narrador lança mão. Por fim, nos últimos capítulos, o próprio narrador dá por encerrado o seu trabalho, passando o comando da narrativa para as personagens, quando o texto se transforma em romance “Agora leitores, o meu trabalho termina aqui. As cartas, que ides ler, confiou-mas a pessoa, que me contou a história. São textuais. Podem ver-se em minha casa, desde até às quatro horas da tarde. Quem as escreve é um pintor, que teve nome no Porto, e pouco tempo furtou à desgraça para cultivar a arte. Quem as recebe é uma senhora, que ainda vive”.
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Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco
Author · 52 books

«Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890) foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa contemporânea tendo sido romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente do que escrevia. Durante quase 40 anos, entre 1851 e 1890, escreveu à pena, logo sem qualquer ajuda mecânica, mais de duzentas e sessenta obras, com a média superior a 6 por ano. Prolífico e fecundo escritor, deixou obras de referência na literatura lusitana. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa.» Fonte; http://www.luso-livros.net/biografia/... Camilo Ferreira Botelho Castelo-Branco (1st Viscount de Correia Botelho), was born out of wedlock and orphaned in infancy. He spent his early years in a village in Trás-os-Montes. He fell in love with the poetry of Luís de Camões and Manuel Maria Barbosa de Bocage, while Fernão Mendes Pinto gave him a lust for adventure, but Camilo was a distracted student and grew up to be undisciplined and proud. He intermittently studied medicine and theology in Oporto and Coimbra and eventually chose to become a writer. After a spell of journalistic work in Oporto and Lisbon he proceeded to the episcopal seminary in Oporto in order to study for the priesthood. During this period Camilo wrote a number of religious works and translated the work of François-René de Chateaubriand. Camilo actually took minor holy orders, but his restless nature drew him away from the priesthood and he devoted himself to literature for the rest of his life. He was arrested twice, the second time due to his adulterous affair with Ana Plácido, who was married at the time. During his incarceration he wrote his most famous work "Amor de Perdição" and later it inspired his "Memórias do Cárcere" (literally "Memories of Prison"). Camilo was made a viscount (Visconde de Correia Botelho) in 1885 in recognition of his contributions to literature, and when his health deteriorated and he could no longer write, Parliament gave him a pension for life. Going blind (because of syphilis) and suffering from chronic nervous disease, Castelo Branco committed suicide in 1890.

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