Alima queria aprender a ler e a escrever. Na sua aldeia, porém, não havia escola. Semelhante anseio constituía um arrojo. Aprender a ler e a escrever! Uma rapariga! Numa terra onde o mais insignificante fedelho, só por ser do sexo masculino, era mais considerado que a mais representativa das mulheres! Alima revolta-se. A princípio, intimamente, depois em voz alta. A própria mãe - viúva - mulher cheia de energia no arranjo do lar, na sua pequena lavoura, no pequeno comércio a que se dedicava honestamente - a própria mãe amaldiçoava a morte por não lhe ter levado a filha em vez do único rebento varão que tivera... Alima é azougada, ladina, inteligente. O mundo que lhe servem não basta para as asas com que a natureza a dotou. Um dia, a Turquia é varrida por um vendaval vivificador. Ataturk, apoiado pelos nacionalistas progressistas, lança a nova república. A Turquia limpa-se dos miasmas da velha rotina. As mulheres passam a ter direitos iguais aos dos homens. A instrução deixa de ser ser privilégio de poucos, para se estender a todo o país. Para Alima, isso constitui a satisfação dos anseios mais caros. "Alima, Uma Jovem da Anatólia" - obra de ficção, rica em motivações, cor, movimento. Uma lição de optimismo positivo, e ao mesmo tempo uma recriação perfeita e real dos costumes e da geografia de paragens mal conhecidas.