Após «Duende» (galardoado com o Prémio D. Diniz—Fundação Casa de Mateus 2002), António Franco Alexandre regressa à escrita com «Aracne» de onde retirámos este É muito bonito o meu amigo de agora; tem o mais belo pêlo da floresta, e olhos onde brilha, em noite escura, o faiscar do gelo nas alturas. Demora-se a falar ao telefone com a namorada, no vagar dos dias; diz-lhe tudo o que faz, e pensa, e sente, e ouve também, com ar inteligente, as divertidas vidas que ela conta. E há tantos episódios, desde o baile dos mosquitos, no verão passado, à recente soirée das sanguessugas, que se distrai, e lento se espreguiça ao sol, que lhe acentua as rugas. Então eu subo pelo pêlo, e fico a admirar tão sedosas harmonias; no sussurro sem fios, que mal entendo, colho o meu mel pequeno, e sou feliz. (p. 8)