
ARROZ DO CÉU, de José Rodrigues Miguéis, fala do quotidiano de um emigrante vindo de uma das repúblicas do Báltico, cujo trabalho é o de limpar o lixo que os cidadãos inconscientes deitam para a rua. O limpa-vias sem nome encarrega-se de limpar as galerias do metro, vivendo como uma toupeira, gozando apenas a luz do sol de forma indirecta – aquela que “cai” pelo respiradouro do metro. Juntamente com a luz vinda lá de fora caem também os detritos que os transeuntes nova-iorquinos – e também os varredores das ruas – acham por bem atirar para o respiradouro (por comodismo) o lixo que o limpa-vias vai ter de apanhar. Mas, no respiradouro próximo da Igreja, aos Domingos acontece sempre um estranho fenómeno. Sempre que o sino toca, festivo, anunciando um casamento, pelo respiradouro caem……bagos e bagos de arroz.
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