
"As mãos e os frutos... As mãos que se estende, que tocam, que acariciam... Os frutos que, maduros, tombam e se entregam... Não as mãos que suplicam ou que receiam ou desistem. Não «os frutos de sombra sem sabor», como o poeta diz. Mas as mãos e os frutos do poeta que, aos vinte e cinco anos, podia serenamente dizer: Se vens à minha procura eu aqui estou. Toma-me, noite, sem sombra de amargura, consciente do que dou na plena epifania de celebrar aquele momento em que: ...gravemente, comedidas, param as fontes a beber-te a face. (extrato do prefácio de Jorge de Sena, janeiro de 1970)