
Entre a Barra da Tijuca e o balneário mexicano de Cancún, um comovente romance de formação, mergulho de rara sinceridade em temas como religião e paternidade. Às portas da adolescência, Joel sente-se deslocado entre os amigos da escola e do prédio onde mora. O ano é 1998 e o mundo parece cada vez mais um lugar ameaçador. Ao mesmo tempo em que busca acolhimento num grupo de jovens de uma igreja evangélica, entra em colisão com o modo de vida do pai, que acaba de regressar ao Brasil após quatro misteriosos anos na cidade de Cancún. Décadas depois, com a morte do pai, longe da religião e prestes a ter um filho, Joel decide voltar, sozinho, ao balneário mexicano. Ao tentar repetir os passos paternos, uma viagem simples se torna complexa, e o que se evidencia são os caminhos que levaram Joel a ser quem é. Com uma prosa clara e irretocável, Miguel Del Castillo faz o retrato de uma classe forjada em condomínios fechados e paraísos fiscais, em colégios onde a violência é a regra e no brilho plástico dos fast-foods. Um dos romances mais surpreendentes da nova geração de autores brasileiros. “Cancún é um edifício narrativo discreto, mas cujo vasto interior pulsa com sensibilidade. Detendo-se em temas como o percurso emocional de uma masculinidade introvertida e a difícil relação que podemos ter com as condutas censuráveis de quem mais amamos, Miguel Del Castillo conduz o leitor com firme serenidade por um relato impecavelmente estruturado, no qual a família é a expressão imperfeita e acolhedora dos mistérios da vida.” ―Daniel Galera “Como tantos centros turísticos de veraneio, Cancún esconde uma outra cidade. A maquiagem encobre subúrbios de miséria e violência. Também é assim com o pai do protagonista deste romance, um homem cheio de segredos que o filho procura desvendar. Nesta jornada sutil de reconhecimento do pai, o que está em jogo, ao fim, são as zonas de sombra de todos nós.” ―Noemi Jaffe “O livro junta pontas dramáticas diversas sob um único guarda-chuva: o de uma história de fragilidade masculina, de busca por uma afirmação acidentada que tem ressonâncias não apenas internas, relativas ao personagem. É nesse ponto que surge a política, apenas sem engajamento literal. Na realidade da ficção, e no modo como ela espelha a realidade aqui de fora, iluminam-se mecanismos de pertencimento social – via instituições como igreja e família – com nuances mais delicadas do que sugeririam acusações diretas de classe e gênero.” ―Michel Laub, Valor Econômico “Nesse romance sobre a falta, Del Castillo entrega algo que faltava à nova literatura brasileira: uma representação honesta dos evangélicos, suas comunidades amorosas e vibrantes e seu discurso que às vezes faz pesar ainda mais o fardo dos que já estão cansados e sobrecarregados.” ―Ruan de Sousa Gabriel, Época