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FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO nasceu em Lisboa, a 15 de Agosto de 1938. A sua infância foi passada entre uma quinta em Carcavelos e o St. Julian's School.1 Foi estudante de Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo sido um dos fundadores do Grupo de Teatro de Letras. Foi casada com Gastão Cruz. Estreou-se como autora com Em Cada Pedra Um Voo Imóvel (1957), obra que lhe valeu o Prémio Adolfo Casais Monteiro. Ganha notoriedade no meio literário com a revista/movimento Poesia 61, em que publica o texto «Morfismos». É considerada como uma das mais importantes escritoras do movimento que revolucionou a poesia nos anos 60.1 Foi premiada em 1996 com o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. O seu livro Cenas Vivas foi distinguido em 2001 com o prémio literário do P.E.N. Clube Português.1 A sua actividade no teatro iniciou-se com um estágio, em 1964, no Teatro Experimental do Porto e com a frequência de um seminário de teatro de Adolfo Gutkin na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1970. Em 1974, foi um dos fundadores do Grupo Teatro Hoje, sendo a sua primeira encenadora com Marina Pineda, de Federico García Lorca. Em 1961 recebeu o Prémio Revelação de Teatro, pela obra Os Chapéus de Chuva.1 É autora de várias peças de teatro. Traduziu obras de língua alemã, de língua inglesa e de língua francesa, de John Updike, Bertold Brecht, Antonin Artaud, Novalis e Anton Tchekov, entre outros. Colaborou em publicações como Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phala. Faleceu em Lisboa, a 20 de Janeiro de 2007.

João Gaspar Simões (Figueira da Foz, 25 de Fevereiro de 1903 — Lisboa, 6 de Janeiro de 1987) foi um novelista, dramaturgo,biógrafo, historiador da literatura portuguesa, ensaísta, memorialista, crítico literário, editor e tradutor português. João Gaspar Simões nasceu a 25 de Fevereiro de 1903, em São Julião, Figueira da Foz, distrito de Coimbra. Filho de João Simões, grande comerciante da Figueira da Foz, e de Constança Neto Gaspar, doméstica, foi baptizado a 18 de julho de 1903. Fez a instrução básica na sua terra natal, a Figueira da Foz e a partir dos 11 anos frequentou como interno o Colégio Lyceu Figueirense (1914), terminando o ensino liceal em Coimbra, no Liceu José Falcão. Em 1921 matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra mas interrompeu por diversas vezes o curso, que só concluiu no ano de 1932. Nunca exerceu profissão na área jurídica, mas tinha o sonho de ser diplomata. Durante os seus anos de estudo fundou algumas revistas literárias de grande importância para a cultura portuguesa: de 1924 a 1925 a revista Tríptico, com Branquinho da Fonseca (seu condiscípulo dos tempos do liceu) e Vitorino Nemésio, entre outros; nos seus 9 números colaboraram também Aquilino Ribeiro, José Régio, Alberto de Serpa, Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes; e de 1927 a 1940 foi um dos fundadores e dirigiu até ao seu último número (56) a revista Presença, em parceria com José Régio, Adolfo Casais Monteiro e Branquinho da Fonseca, que estaria na origem do movimento literário do mesmo nome, também chamado Segundo Modernismo, que viria a ter enorme influência na literatura portuguesa. Foram colaboradores doutrinários do "presencismo", entre outros, Delfim Santos, Alberto de Serpa, Luís de Montalvor, Mário Saa, Raul Leal e António Botto. A ação dos 'presencistas' foi fundamental para o estudo e valorização do Primeiro Modernismo de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros. Também colaborou nas revistas Princípio (1930) e Sudoeste (1935) e ainda na revista Mundo Literário (1946-1948) na qual se encontram alguns ensaios, contos e críticas literárias da sua autoria. Fez tirocínio para Conservador do Museu Machado de Castro em Coimbra e nessa qualidade transferiu para esse Museu a valiosa coleção de antiguidades chinesas doada pelo poeta Camilo Pessanha e que se encontrava em depósito no Museu das Janelas Verdes, em Lisboa. Foi Presidente da Associação Académica de Coimbra em 1930-31. A partir de 1935 foi revisor da Imprensa Nacional passando para a Biblioteca desta instituição em 1940. Entre 1942 e 1945 dirigiu o programa de traduções da casa editora Portugália, em Lisboa. Uma das facetas mais importantes da sua obra de crítico e de editor foi a de ter sido o primeiro biógrafo e também o primeiro editor (com Luís de Montalvor) de Fernando Pessoa, de quem tinha sido amigo e correspondente. No domínio da literatura estrangeira divulgou e traduziu vários autores russos e anglófonos, entre eles Dostoiévski, Liev Tolstói, George Eliot, Jane Austen e Elizabeth Gaskell (novelista também celebrizada por ter sido a biógrafa de Charlotte Brontë e cuja obra foi publicada por sua iniciativa na Portugália), combatendo o "francesismo" então reinante e contribuindo para a ampliação dos horizontes literários e estéticos do mundo lusófono e a europeização da então muito provinciana cultura portuguesa. A partir de 1946 finalizou a sua carreira de romancista para iniciar a sua produção dramatúrgica. A sua obra crítica é respeitada pelo seu vasto espírito enciclopédico e pela pertinência dos seus julgamentos, ainda que por vezes fosse julgada demasiado dependente do historicismo e biografismo.


Formou-se em História e Geografia em 1932, e doutorou-se em Geografia, em 1936, na Universidade de Lisboa. Foi Leitor de português na Sorbonne (Paris), de 1937 a 1940, Professora na Universidade de Coimbra, de 1941 a 1943, e na Universidade de Lisboa, de 1943 a 1981. Criou, em 1943, o Centro de Estudos Geográficos de Lisboa, que dirigiu até 1974. A partir de 1947 foi, por várias vezes, responsável de Missões de Geografia Física e Humana, organizadas pela Junta de Investigações do Ultramar (Guiné, Cabo Verde, Goa, Angola e Moçambique). Em 1949, organizou em Lisboa o XVI Congresso Internacional de Geografia, tornando-se, a seguir, Vice-Presidente da União Geográfica Internacional. Em 1959, foi durante alguns meses Director da Faculdade de Letras de Lisboa. A partir de 1961, fez parte dos Conselhos Consultivos de Ciência e de Educação, da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1996, fundou, com Ilídio do Amaral e Suzanne Daveau, a Finisterra, Revista Portuguesa de Geografia, que continua a publicar-se regularmente. De 1970 a 1974, tomou parte activa na Comissão, instituída pelo ministro Veiga Simão, para preparar a Reforma das Faculdades de Letras. Em 1976, foi eleito membro da Academia das Ciências de Lisboa (secção de Ciências) e da Academia Nazionale dei Lincei (Roma). É Doutor Honoris Causa das Universidades do Rio de Janeiro, Bordéus, Coimbra, Madrid (Complutense) e Paris (Sorbonne). É Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. É Chevalier de la Légion d'Honneur.

JOSÉ HERMANO SARAIVA nasceu em Leiria, a 3 de Outubro de 1919. Formado em Direito e depois em Ciências Histórico-Filosóficas, exerceu inicialmente a advocacia. Redactor permanente do Jornal do Foro, assumiu também a direcção jurídica da Gazeta do Comércio e Indústria. Estreou-se com um livro de contos em 1944 e fez uma breve incursão como autor dramático, obtendo por duas vezes o prémio de peças para o Teatro do Povo com o drama rural Dinheiro Mal Ganho, 1949, e O Caminho da Esperança, 1960. Conserva-se inédita uma sua tragédia filosófica intitulada A Morte de Cícero, 1970. Incondicional admirador de Salazar, a sua carreira de homem público veio a realizar-se dentro do regime, desde deputado da União Nacional, passando por procurador à Câmara Corporativa, até atingir a pasta da Educação, em 1968. Todavia, a crise de 1969 viria a afastá-lo. Passou então a dedicar-se mais a trabalhos de investigação e divulgação histórica, tornando-se popular através de uma presença regular na televisão. O seu discurso, no entanto, afastado da visão oficial, levantou reservas ao governo de Marcelo Caetano que preferiu afastá-lo dos ecrãs e enviá-lo para a Embaixada de Portugal em Brasília. Através da televisão, granjeia uma enorme popularidade para os programas de história de Portugal, a que não é estranho o seu estilo de grande comunicador. Em 1989, numa altura de crise, aceita dirigir o vespertino Diário Popular, procurando salvar este da sua quebra de leitores, em 1989. Membro da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa da História, a sua obra de divulgação é vasta e abarca os mais variados temas da história nacional. Publicou, de autor anónimo, o livro Ditos Portugueses Dignos de Memória [1980], obra do século XVI para cuja edição elaborou notas e comentários onde a sua erudição está patente. Em 1983, dirigiu uma História de Portugal, agrupando à sua volta alguns nomes prestigiados da investigação nacional, e seguidamente dirigiu a edição portuguesa de uma História Universal (1985). A sua História Concisa de Portugal (1ª. ed. com três tiragens e 2ª. em 1978) é um caso invulgar na edição portuguesa, quer em tiragem total, quer em número de edições. Faleceu em Palmela, a 20 de Julho de 2012.

MARIA VITALINA LEAL DE MATOS é professora catedrática jubilada da Faculdade de Letras de Lisboa, onde, além de outras cadeiras, leccionou Estudos Camonianos. Licenciou-se com uma tese sobre Fernando Pessoa, e doutorou-se com uma dissertação sobre a poesia de Camões. Fez parte da Comissão Nacional da UNESCO e do Conselho Superior da Universidade Católica. De 1988 a 1990 desempenhou o cargo de Conselheira para o ensino do Português junto da Embaixada de Portugal em Paris. É autora de numerosos artigos e de diversos livros de conteúdo camoniano. Foi condecorada, pela Presidência da República, com a Grã-Cruz da Ordem de Camões (2024).

JORGE BORGES DE MACEDO nasceu em Lisboa, a 3 de Março de 1921. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, em 1944, e doutorou-se em História, em 1964, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Começou por se dedicar ao ensino técnico, passando a leccionar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, como professor catedrático, a partir de 1968 e, posteriormente na Universidade Católica Portuguesa. Desempenhou as funções de director do Centro de História da Universidade de Lisboa, entre 1973 e 1974, e director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, entre 1990 e 1996. Foi também vice-presidente do Conselho Superior de Defesa e Salvaguarda do Património. Participou em inúmeros congressos, reuniões científicas, conferências e foi membro da Academia Portuguesa da História, da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, da Comissão Portuguesa do Comité Internacional des Sciences Historiques, do Comité Internacional de l'Histoire des Mouvements Sociaux et des Structures Sociales (Paris), da Historical Association (Londres), da Real Academia de la Historia de España, entre outras. Foi condecorado, pela Presidência da República, com o Grande-Oficialato da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, em 1991. Esteve desde muito cedo ligado ao movimento de renovação da historiografia portuguesa de meados do século. É vasta a sua produção científica, consagrada em especial a temas de história económica, cultural e das relações internacionais. Entre muitos outros estudos, publicou A situação económica no tempo de Pombal: alguns aspectos (1950), O Bloqueio Continental: economia e guerra peninsular (1962), Elementos para a história da indústria em Portugal no século XVIII (1964), Um Caso de Luta pelo Poder e a Sua Interpretação n'«Os Lusíadas» (1977, Prémio Abílio Lopes do Rego), «Os Lusíadas» e a História (1979), Herculano: polémica e mensagem (1979, Prémio de Ensaio Alexandre Herculano), Damião de Gois et l’historiographie portugaise (1982), Marquês de Pombal: ensaio biográfico (1982) e História diplomática portuguesa: constantes e linhas de força (1987). Faleceu em Lisboa, a 18 de Março de 1996.

MARIA HELENA DA ROCHA PEREIRA nasceu no Porto, a 3 de Setembro de 1925. Licenciou-se em Filologia Clássica (1947) e doutorou-se em Letras (1956) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Entre 1948 e 1957 foi professora de Latim e depois de Grego no Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Porto. Em 1951 tornou-se segundo assistente de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde faria a sua carreira universitária. No ano de 1964 tornou-se professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com a cadeira de Literatura Grega. Entre 1965 e 1966 foi directora do Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra e entre 1991 e 1995 directora do Instituto de Estudos Clássicos desta mesma universidade. Foi também directora das revistas Humanitas e Biblos. Publicou mais de trezentos livros e artigos, em Portugal e no estrangeiro. Entre esses, tanto figuram edições críticas, como a de Pausânias (Leipzig, Teubner, 3 vols., 2.ª ed., (1989-1990), como os Estudos de História da Cultura Clássica (Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, vol. I, Cultura Grega, 12.ª ed., 2012; vol. II, Cultura Romana, 3.ª ed., 2002) ou trabalhos sobre a presença dos clássicos em autores portugueses. É o caso deste volume, que vai desde António Ferreira, Camões e Andrade Caminha aos setecentistas (Árcades, Alcipe, Bocage), a Augusto Gil, a Fernando Pessoa e aos contemporâneos (como Miguel Torga, José Gomes Ferreira, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade). Maria Helena da Rocha Pereira é a mais conceituada especialista portuguesa em Estudos Clássicos e recentemente (2010) galardoada com o Prémio Vida Literária APE. Faleceu a 10 de Abril de 2017.

