
"Todas as árvores caminham sobre o Tempo, sobre a passagem das estações, porque nenhum outro movimento lhes resta. Existem, simplesmente, dividindo-se entre o corpo visível que se estende à luz e o corpo inferior que vive de forma encoberta. Os seus frutos, contudo, são esperanças perdidas, Verão após Verão. Imagens do desejo de poder ser mais do que braços a estender-se ao céu, ao vento, à impiedade dos pássaros. Da vontade que todo o corpo, o poderoso corpo, pudesse sair da terra, com duas pernas móveis, e a fizesse estremecer de medo quando uma delas voltasse a pousar na superfície." Entre os homens e as árvores há tanto em comum que por vezes não se sabe onde começam uns e acabam os outros. Samuel acredita que lhe basta um solo fértil para ser feliz e, sendo-o, permitir que todos o sejam tanto como ele. Mas a mulher sonha longe, os filhos guardam segredos, e a força brutal dos seus gestos de patriarca deixa marcas inesperadas naqueles que ama. No seu esperado regresso ao romance, Possidónio Cachapa colhe um livro onde a Natureza e o Homem vivem misturados, moldando-se e afeiçoando-se mutuamente, enquanto o tempo se some como um carreiro de água em terra seca.
Author

Escritor português, Possidónio Cachapa nasceu em em Évora. Após 15 anos de vivência em terras alentejanas, foi para os Açores onde concluiu o ensino liceal. Regressou a Lisboa e licenciou-se em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa. Partiu para a Suíça, onde viveu durante 6 anos, e aí, paralelamente com a docência da disciplina de Literatura Portuguesa, foi trabalhando as sementes que germinariam nas suas primeiras obras literárias: "O Nylon da Minha Aldeia" e "A Voz Terrível" (não publicado por decisão do autor) De regresso a Portugal, empenha-se na escrita de argumentos e na realização, sendo-lhe atribuída, em 1996, uma bolsa do Ministério da Cultura. Escreve, então, em 1998, o romance "A Materna Doçura", obra dividida em três partes como forma de sugerir as etapas da vida de uma criança (a personagem principal) que ficou órfã de mãe muito cedo. Como assistente de realização, assina um documentário intitulado Sete Mares que o levou a percorrer vários países, nomeadamente o Egipto, Israel e a Jordânia. Com um curso da Escola Técnica de Imagem e Comunicação (ETIC), Possidónio Cachapa concretizou, assim, outro dos seus sonhos, enquanto homem que gosta de olhar o mundo por trás das câmaras. Exerceu a docência da disciplina de Português no Colégio Moderno, tendo depois enveredado pelas aulas de formação para formadores. Publicou "Viagem ao Coração dos Pássaros", "O Mar por Cima", "Rio da Glória", "O Mundo Branco do Rapaz-Coelho" e o livro de contos "Segura-te ao Meu Peito em Chamas", além de diversos contos publicados em Portugal e no estrangeiro e do livro de crónicas "O Meu Querido Titanic". No teatro é autor das peças "Shalom", "Hipnotizando Helena" e "A Cibernética" (que co-encenou em 2005). Argumentista de curtas e longas metragens, trabalhou ainda como realizador em vários filmes, com destaque para o documentário "Adeus à Brisa", sobre a vida e obra do escritor Urbano Tavares Rodrigues. A sua obra foi adaptada ao teatro, ao cinema e está traduzida em vários países. Obras NYLON DA MINHA ALDEIA (novela) 1997 MATERNA DOÇURA (romance)1998VIAGEM AO CORAÇÃO DOS PÁSSAROS (romance) 2000 HALOM (teatro) 2001 O MAR POR CIMA (romance) 2002 SEGURA-TE AO MEU PEITO EM CHAMAS (contos) 2004 O MEU QUERIDO TITANIC (crónicas) 2005 RIO DA GLÓRIA (2007) O MUNDO BRANCO DO RAPAZ-COELHO (romance) 2009 EU SOU A ÁRVORE (romance) 2016