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Eusébio Macário book cover 1
Eusébio Macário book cover 2
Eusébio Macário
Series · 2 books · 1879-1880

Books in series

Eusébio Macário book cover
#1

Eusébio Macário

1879

"São duas frases de entranhada gratidão a alguns críticos bons, delicados que inutilizaram os períodos percucientes, os punhais das ironias com que tencionavam traspassar do peito às costas o Eusébio Macário, tão sinistramente agoirado. Esta reconsideração, já agora, é uma virtude que daria santos à legenda áurea dos literatos, se eles coubessem no Céu, onde há tantos, beatificados por fomes de trutas e sedes de "lacrima-Christi" – que importa o mesmo dizer fomes e sedes de justiça. O tímido autor esperava que os artistas não refugassem a obra tracejada, e afirmassem que eu, nesta decrepidez em que faço ao estilo o que os meus coevos de juventude fazem ao bigode, não podia penetrar com olho moderno os processos do naturalismo no romance. Ora a coisa em si era tão fácil que até eu a fiz, e tão vaidoso fiquei do Eusébio Macário que o reputo o mais banal, mais oco e mais insignificante romance que ainda alinhavei para as fancarias da literatura de pacotilha. Se eu o não escrevesse de um jato, e sem intermissões de reflexão, carpir-me-ia do tempo malbaratado." Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.
A Corja book cover
#2

A Corja

1880

"A Eufémia Troncha catava-o, fingia estalinhos insecticidas, fazia-lhe com a unha titilações, atritos suaves no casco da coroa, inventava para o nutrir e inflamar carícias e guisados, surpreendia-lhe o apetite com fricassés muito aromáticos, tinha meiguices e candonguices duma donzela que afaga pombinhos entre os seios virginais, decotava o corpete dos vestidos para lhe escaldar o sangue, fazia trejeitos lascivos de gata que se rebola escandecida nos telhados – uma croia velha com muita experiência sublinhada. Ao princípio, o abade agradecia com mocanquices, correspondia-lhe com exuberância de abraços, adormentava a sua dor abeberado naquela modorra deliciosa, julgava-se curado das saudades de Felícia, e, às vezes, repulsando uma ideia funesta, «Que a leve o Diabo!, que a leve o Diabo!», e agarrava-se ao pescoço nédio de Eufémia como a uma forte prancha de nau descosida e escalavrada." Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.

Author

Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco
Author · 52 books

«Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890) foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa contemporânea tendo sido romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente do que escrevia. Durante quase 40 anos, entre 1851 e 1890, escreveu à pena, logo sem qualquer ajuda mecânica, mais de duzentas e sessenta obras, com a média superior a 6 por ano. Prolífico e fecundo escritor, deixou obras de referência na literatura lusitana. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa.» Fonte; http://www.luso-livros.net/biografia/... Camilo Ferreira Botelho Castelo-Branco (1st Viscount de Correia Botelho), was born out of wedlock and orphaned in infancy. He spent his early years in a village in Trás-os-Montes. He fell in love with the poetry of Luís de Camões and Manuel Maria Barbosa de Bocage, while Fernão Mendes Pinto gave him a lust for adventure, but Camilo was a distracted student and grew up to be undisciplined and proud. He intermittently studied medicine and theology in Oporto and Coimbra and eventually chose to become a writer. After a spell of journalistic work in Oporto and Lisbon he proceeded to the episcopal seminary in Oporto in order to study for the priesthood. During this period Camilo wrote a number of religious works and translated the work of François-René de Chateaubriand. Camilo actually took minor holy orders, but his restless nature drew him away from the priesthood and he devoted himself to literature for the rest of his life. He was arrested twice, the second time due to his adulterous affair with Ana Plácido, who was married at the time. During his incarceration he wrote his most famous work "Amor de Perdição" and later it inspired his "Memórias do Cárcere" (literally "Memories of Prison"). Camilo was made a viscount (Visconde de Correia Botelho) in 1885 in recognition of his contributions to literature, and when his health deteriorated and he could no longer write, Parliament gave him a pension for life. Going blind (because of syphilis) and suffering from chronic nervous disease, Castelo Branco committed suicide in 1890.

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