
Ao longo da época contemporânea, sobretudo do século XX, foi aos indicadores sobre a sociedade que mais se recorreu quando se pretendeu destacar o «atraso» ou desfasamento português face a outros países europeus. Invocava-se então a elevadíssima mortalidade infantil, as altas taxas de analfabetismo ou a persistente emigração para identificar as arrastadas maleitas portuguesas, cuja responsabilidade se atribuía, sobretudo, ao regime político, em particular ao Estado Novo. Este volume procura responder a essas interrogações, oferecendo um retrato analítico e cronologicamente fundamentado da história social contemporânea portuguesa, cujos primórdios foram marcados pelo colapso imperial, pela independência do Brasil e pela vitória do liberalismo em 1834, depois de arrastados conflitos. Tratou-se não apenas de uma rutura política mas também do triunfo de uma nova conceção da organização da sociedade. Os contextos e limites da sua concretização, bem como as reações que suscitou, constituem, em boa medida, a matéria tratada neste volume. Ao longo de cinco capítulos, debatem-se os impactos sociais das mudanças políticas ou, mais exatamente, de que forma se combinaram com as transformações e as continuidades na sociedade portuguesa.
Authors

ANTÓNIO BARRETO nasceu a 30 de Outubro de 1942, na Foz do Douro, Porto. Viveu em Vila Real até terminar o Liceu. Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra. Viveu na Suíça, como exilado político, de 1963 a 1974. Licenciou-se em Sociologia em 1968. Trabalhou na Universidade de Genebra e no Instituto de Pesquisas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. Regressou a Portugal em 1974. Foi professor nas Faculdades de Ciências Sociais e Humanas e de Direito da Universidade Nova de Lisboa, investigador na Universidade Católica e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa até 2008. Doutorou-se em Sociologia, em 1985, na Universidade de Genebra. Foi deputado à Assembleia Constituinte (1975-1976) e à Assembleia da República (1985-1991), assim como Secretário de Estado do Comércio Externo do VI Governo Provisório (1975-1976), Ministro do Comércio e Turismo e Ministro da Agricultura e Pescas do I Governo Constitucional (1976-1978). Foi galardoado com o Prémio Montaigne de 2004. Sócio da Academia das Ciências desde 2008, é também Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos desde 2009. Colunista do jornal Público desde 1991. Publicou Anatomia de uma Revolução, Tempo de Mudança, Sem Emenda, Tempo de Incerteza, A Situação Social em Portugal, 1960-1999 e Anos Difíceis.


JORGE MIGUEL VIANA PEDREIRA nasceu em Lisboa, a 26 de Abril de 1958. Estudou em Lisboa, tendo concluído o ensino secundário no Liceu Camões (1975). É licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1981), mestre em Sociologia e Economia Históricas (1986), com a tese Indústria e atraso económico em Portugal (1800-1825) e doutorado em Sociologia Histórica (1996), com a tese Os homens de negócio da praça de Lisboa de Pombal ao vintismo (1755-1822): diferenciação, reprodução e identificação de um grupo social, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente é professor auxiliar com agregação nos departamentos de História e Sociologia da FCSH/NOVA, sendo também investigador integrado do CESNOVA e do Instituto de História Contemporânea na mesma instituição. Além das funções docentes, exerceu diversos cargos de gestão na Faculdade (coordenador do Departamento de Sociologia, vogal do Conselho Directivo, Presidente do Conselho Pedagógico) e na Universidade (membro da Assembleia e do Senado). Foi ainda membro do conselho de redacção da revista Penélope, Fazer e Desfazer a História (1997-2004) e professor visitante da Universidade de Brown (em Providence, nos Estados Unidos) e da Universidade de São Paulo. A sua área de estudo centra-se, sobretudo, nas elites portuguesas na época moderna e contemporânea (séculos XVII - XIX). Foi fundador do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) (1989), de que foi depois Vice-Presidente (1990-1996) e Presidente da Direcção (1996-1998). Exerceu funções governativas como Director-Geral do Ensino Superior (2001-2002), Secretário de Estado Adjunto e da Educação do XVII Governo Constitucional de Portugal (2005/2009) e perito da OCDE para aconselhamento da reforma educativa da Grécia (2011). Entre 2004 e 2005 colaborou com o suplemento Universidades do jornal Diário Económico. Na mesma altura foi consultor do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos para o Processo de Bolonha e assessor para o desenvolvimento da estratégia do Instituto Politécnico de Setúbal.


NUNO GONÇALO MONTEIRO nasceu em Lisboa, em 1955. É licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1982), pós-graduado em História Contemporânea, pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (1986) e doutorou-se em História Moderna, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1995). Foi Assistente na Universidade de Évora e no ISCTE-IUL, antes de se tornar Professor Auxiliar Convidado da segunda instituição (1982) e actualmente é Investigador Coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor convidado do ISCTE (Lisboa). Realizou conferências e comunicações em vários países, tendo sido professor visitante em universidades espanholas, francesas e brasileiras. Coordenou vários projectos de investigação internacionais e organizou diversos colóquios e reuniões científicas. Publicou mais de uma centena de títulos.

ÁLVARO GARRIDO nasceu em Beduído, Estarreja, em 1968. É licenciado em História e Mestre em História Contemporânea de Portugal pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e doutorou-se em Economia (na especialidade de Estruturas Sociais da Economia e História Económica) na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde lecciona desde 1995 e, actualmente, é Professor Catedrático e Director dessa instituição. É investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20-FL/UC), investigador colaborador do Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH/UNL) e consultor do Museu Marítimo de Ílhavo, do qual foi director. A sua área de estudos incide nas instituições do corporativismo salazarista e na história marítima e das pescas. Os seus últimos livros intitulam-se Henrique Tenreiro: uma Biografia Política (Círculo de Leitores/Temas & Debates, 2009); O Estado Novo e a Campanha do Bacalhau (Círculo de Leitores/Temas & Debates, 2010); Cooperação e solidariedade: uma história da economia social (Tinta-da-China, 2016), Queremos uma economia nova! (Círculo de Leitores/Temas & Debates, 2016) e As pescas em Portugal (FFMS, 2018). É ainda coordenador da colecção Novos Mares da Âncora Editora, uma colecção de estudos e ensaios de temas marítimos. É autor de dois documentários de longa-metragem produzidos pela RTP.