
De origens obscuras e envoltas numa polémica cujo registo do século XIV chegou até nós, a linhagem dos Pimentéis conheceu um processo de ascensão social que culminou com o ingresso de um dos seus mais representativos membros no círculo da alta nobreza no reinado de D. Fernando. Ao longo deste percurso, que se estende da segunda década do século XIII ao final da centúria seguinte, ressaltam dois vectores complementares para a afirmação da linhagem: por um lado, a aquisição e acumulação de património de base territorial que, no entanto, não deixou de conhecer fortes contrariedades; por outro, a construção e disseminação de influências, através da angariação de prestígio pela ocupação de lugares do serviço régio ou de chefia em ordens religioso-militares. Em simultâneo, as alianças firmadas com outras famílias, nomeadamente através do casamento, permitiram ir tecendo claras redes de solidariedade, no quadro de uma eficaz estratégia de promoção no seio da nobreza. Do «Prefácio» de José Mattoso: A dissertação de doutoramento que agora se publica representa um contributo da maior importância para a compreensão do que foi a nobreza portuguesa nos séculos XIII e XIV. Sendo precedida de vários estudos de carácter estrutural, destinados a averiguar o que era ser nobre, como se formaram as principais linhagens medievais, quais os padrões de comportamento, os privilégios normalmente exercidos, […] esta tese corresponde a um projecto metodológico diferente.”