
Um homem num hospital vê tudo de maneira diferente. O tempo passa a correr mais devagar, ou mais depressa, mas já não como antes. As pessoas que tem à volta deixam de ser as suas pessoas, aquelas de quem gosta, e passam a ser elas o mundo inteiro, as suas histórias, os seus medos, as suas próprias contagens do tempo. Em Os Velhos, Vítor Serpa, um autor especializado nas artes de contar histórias, da frieza do jornalismo à temperatura mais alta da ficção, escreve sobre ele—talvez no seu registo mais auto- biográfico de sempre —, mas também sobre a pessoa da cama ao lado, como se fosse o Portugal da cama ao lado, doente, indeciso, num tempo que parece não saber bem a que velocidade vai, perturbado pelo tumulto da Covid-19, agitado pela modernidade tecnológica e pelas violentas quebras geracionais. O tempo dos livros nunca é novo ou velho. O tempo dos livros é o tempo em que se escrevem. E este livro, Os Velhos, é de hoje.