
Este livro inspira-se na obra de Marc Bloch, talvez o maior historiador do século xx. «Papá, explica-me para que serve a história?» — com esta simples pergunta, Bloch abria um dos mais belos livros de história de todos os tempos, Apologie pour l’histoire ou Métier d’historien (1949). Colocada com a ingenuidade dramática de uma criança, a questão merece uma série de respostas subtis, que também Diogo Ramada Curto procura fornecer: a curiosidade por todo o tipo de actividades humanas; a vontade de conhecer a sociedade no seu todo e nos seus tempos múltiplos; sobretudo, o desejo de compreender a vida real, no seu quotidiano e nas suas práticas mais repetitivas, por oposição a uma concepção morta do passado, enterrado em museus, monumentos e manuais. Mais importante ainda, o estudo da história faz parte das necessidades de formação de cidadãos politicamente conscientes, capazes de se baterem pelos seus ideais democráticos. Afinal de contas, como salientava Bloch, o regime nazi pôs a descoberto a irresponsabilidade de muitos intelectuais. A sua passividade e até o seu colaboracionismo frente a um regime feroz—fundado em interpretações históricas míticas ou totalmente falaciosas—traduziram-se numa incapacidade gritante para se dedicarem ao estudo da história e para se libertarem do peso do passado. Para Que Serve a História? relança este debate cívico e intelectual e ao mesmo tempo questiona, sem complacências, os vícios e a pobreza que, segundo o autor, imperam hoje nas universidades portuguesas.
Author

DIOGO SASSETTI RAMADA CURTO nasceu em Lisboa, a 22 de Abril de 1959. É licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa (1981) e doutorado em Sociologia Histórica pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (1995), com a tese A cultura política em Portugal (1578-1642): comportamentos, ritos e negócios. É, desde Abril de 2024, Director-Geral da Biblioteca Nacional de Portugal. Docente na FCSH/UNL desde 1981, foi professor da Cátedra Vasco da Gama em História da Expansão Europeia no Instituto Universitário Europeu de Florença (2000-2008) e professor visitante em várias universidades (Brown, Yale, King's College-Londres, EHESS-Paris). Os seus principais interesses de investigação situam-se, actualmente, na área da história global, colonialismo, imperialismo e escravatura. Em 1988, co‑fundou a colecção Memória e Sociedade (Difel), que dirigiu entre 1995 e 2005 e onde fez publicar dezenas de títulos de história e ciências sociais. Em 2010, participou na criação da colecção História e Sociedade (Edições 70). É bibliotecário da Casa Cadaval. Escreve regularmente no jornal Público. Colaborou recentemente na Oxford History of Historical Writing, na Wiley-Blackwell Encyclopaedia of Empire, dirigida por John Mackenzie, e no catálogo sobre Josefa de Óbidos do Museu Nacional de Arte Antiga.