
Em SAPOS E SONHOS, a escritora argentina Cecilia Arbolave relata a recorrência destes anfíbios em suas experiências oníricas para destrinchar as camadas simbólicas que os envolvem. Com um detalhe: ela morre de medo deles. Esta mistura de ensaio com crônica familiar, então, torna-se uma reflexão sobre formas de lidar com nossos medos mais profundos e, muitas vezes, inexplicáveis. Dona de um texto fluido e de um senso de humor raro, capaz de perceber as belezas do mínimo sem perder de vista a estrutura do todo, ao longo das 48 páginas de SAPOS E SONHOS a autora nos conduz por uma estrada que vai desde os sapinhos de brinquedo de sua infância até os mitos da deusa egípcia Heqet e espécies cujo veneno é utilizado em rituais nos desertos do México, passando, é claro, por descrições de sonhos e até mesmo uma misteriosa inscrição em alemão. No miolo, folhas verdes se intercalam às páginas, fazendo o texto pular de um lado para o outro. Já a sobrecapa, também verde, apresenta uma textura que sugere a pele dos sapos, e o nome do livro e da autora em impressão tipográfica.