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Tênebra
narrativas brasileiras de horror [1839-1899]
2022
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Nesta coletânea de 27 narrativas brasileiras de horror escritas ao longo de sessenta anos, os organizadores Júlio França e Oscar Nestarez provam que a ficção do século 19 não se restringiu ao romantismo, ao realismo e a outros movimentos reconhecidos pela historiografia literária tradicional. Enquanto a crítica se voltava para o projeto nacional indianista e afirmava que Álvares de Azevedo e seu Noite na taverna eram um caso isolado, poéticas negativas corriam à margem. Os contos obscuros reunidos neste livro, colhidos após minuciosa pesquisa, mostram que, além da temática tenebrosa, outra escuridão durante muito tempo os acometeu: nunca haviam sido contemplados pelas luzes da crítica literária, permanecendo ocultos até mesmo dos leitores do gênero. Em apresentação ao livro, os organizadores abordam os motivos que levaram ao apagamento histórico de um gênero tão popular na contemporaneidade. Além disso, eles apontam a importância de uma leitura crítica dessas narrativas que, na qualidade de textos históricos, dão a conhecer traços constitutivos da nossa sociedade—como o machismo estrutural, que excluiu do cânone literário mulheres escritoras que há muito tempo produziam, e o racismo escravocrata, que permeia essas histórias oitocentistas e avança até o Brasil do século 21. Por meio do critério cronológico, cobrem-se as mais diversas vertentes sinistras, sejam elas o gótico, o horror, o fantástico ou as histórias de crime. Machado de Assis, Olavo Bilac, Júlia Lopes de Almeida e Aluísio Azevedo são algumas das presenças célebres que mostram a prática brasileira do gênero fora de um suposto nicho. Outros autores, menos conhecidos, mas igualmente assustadores, povoam a edição com feiticeiras, cometas apocalípticos, crimes conjugais, vinganças, florestas encantadas, fantasmas, homens possuídos, monstros flamejantes, vampiras e outros personagens escabrosos. É vasto o panorama dos que rompiam as convenções e provocavam prazer estético com o medo. Seja por meio de ghost stories, contos de mitologia ou manifestações dos horrores reais da alma humana, Tênebra pode assombrar até o mais cético dos leitores.

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Authors

João da Cruz e Sousa
João da Cruz e Sousa
Author · 3 books
João da Cruz e Sousa (24 November 1861 – 19 March 1898), also referred to simply as Cruz e Sousa, was a Brazilian poet and journalist, famous for being one of the first Brazilian Symbolist poets. A descendant of African slaves, he has received the epithets of "Black Dante" and "Black Swan".
Afonso Celso
Afonso Celso
Author · 2 books
Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, titled Count of Afonso Celso by the Holy See, better known as Afonso Celso, (31 March 1860 – 11 July 1938) was a teacher, poet, historian and Brazilian politician. He is one of the founders of the Brazilian Academy of Letters, where he occupied the chair number 36.
Franklin Távora
Franklin Távora
Author · 2 books

João Franklin da Silveira Távora nasceu na cidade de Baturité-Ceará, no dia 13 de Janeiro de 1842. Seus pais eram Camilo Henrique da Silveira Távora e Maria de Santana da Silveira. Seus primeiros estudos foram em Fortaleza, capital do estado do Ceará, e em 1884 mudou-se com os pais para Pernambuco. Estudou em Goiana e Recife, e matriculou-se na faculdade de Direito em 1859. Formou-se advogado em 1863. Além desta profissão, durante sua trajetória de vida foi também jornalista, político, romancista e teatrólogo, chegou também a exercer alguns cargos públicos nas cidades onde residiu. Em 1874 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como funcionário da Secretaria do Império. Como jornalista, redigiu A Consciência Livre (1869 a 1870) e A Verdade (1873). Como literato publicou contos e romances, fundou e dirigiu a Revista Brasileira (1879 a 1881) ao mesmo tempo que inicia a reconstituição do passado pernambucano, através da ficção e da investigação histórica. Contribuiu, desta forma, com a história e o folclore brasileiros, através de Lendas e tradições populares (1878) e de vários fragmentos de estudos históricos. Para o teatro escreveu, ainda, “Um mistério de família” (1861) e “Três Lágrimas” (1870). De advogado passou a político, sendo eleito Deputado Provincial. Na política atuou fazendo acirrada campanha contra José de Alencar, por não concordar com seu idealismo romântico. Foi Franklin Távora um dos iniciadores do Realismo e do Naturalismo no Brasil, embora ainda encontremos muitas características do Romantismo em suas obras.Utilizou o pseudônimo de Semprônio para escrever as “Cartas a Cincinato”, onde tentou denegrir a imagem de José de Alencar e onde também iniciou uma campanha a favor da literatura regionalista, pois acreditava que aí morava a verdadeira nacionalidade que deveria ser expressada através da literatura brasileira. Sua obra foi nacionalista e regionalista, diferenciando-se da maioria dos outros autores românticos. Fundou a Associação dos Homens de Letras e foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. É patrono na Cadeira 14 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do próprio fundador, Clóvis Beviláqua. No final de sua vida, desiludido da literatura e da política, queimou alguns textos inéditos. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro-RJ, no dia 18 de Agosto de 1888. Texto retirado do site: InfoEscola.

Bernardo Guimaraes
Bernardo Guimaraes
Author · 10 books

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães was born in the city of Ouro Preto, in Minas Gerais, to João Joaquim da Silva Guimarães (a poet) and Constança Beatriz de Oliveira Guimarães. He graduated himself at the Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo in 1847, where he befriended the poets Álvares de Azevedo and Aureliano Lessa. With those and others, he founded the "Sociedade Epicureia" ("Epicurean Society") in the same year, and also planned with them an unsuccessful collection of poetry called As Três Liras (in English: The Three Lyres). In 1852, he became a judge in the city of Catalão, Goiás, a post he held until 1854. He moved to Rio de Janeiro in 1858, and, in the following year, worked as a literary critic in the newspaper Atualidade. He returned to his duty of judge of Catalão in 1861, but returns once again to Rio de Janeiro in 1864. In 1866, he became teacher of Rhetoric and Poetics in Ouro Preto. He got married in 1867. In 1873, he became teacher of Latin and French in the city of Queluz, in Minas Gerais. He is honored by the Brazilian monarch Pedro II in 1881. Bernardo died poor, in Ouro Preto, in 1884.

Maria Benedita Bormann (Délia)
Maria Benedita Bormann (Délia)
Author · 3 books

Conhecida pelo pseudônimo Délia, foi uma cronista, romancista, contista e jornalista brasileira. Nascida numa família de prestígio social e político, morou num sobrado que existe até os dias de hoje na Rua do Rezende, 48. Aprendeu francês e inglês e foi estudiosa da literatura de sua época. Também pintava, tocava piano e cantava com bela voz de mezzo-soprano. Casou-se em 1872 com José Bernardino Bormann, herói da Guerra do Paraguai, que se tornou ministro da Guerra em 1909, e que também foi escritor e ensaísta. Extremamente talentosa, alegre e irônica, publicou crônicas, folhetins e pequenos contos nos principais veículos informativos do Rio de Janeiro, entre 1880 e 1895. Colaborou na mesma coluna do jornal O País, alternando com escritores de renome como Coelho Netto, Valentim Magalhães e outros. Foi contemporânea de redação de Aluísio Azevedo, Joaquim Nabuco, Carlos de Laet e da poetisa portuguesa Maria Amália Vaz de Carvalho.

Antônio Joaquim da Rosa
Author · 1 book

Antônio Joaquim da Rosa, o Barão de Piratininga, foi um político brasileiro. Apesar de sua vida voltada para a política e as causas da cidade, o Barão de Piratininga também foi um grande colaborador literário

Julia Lopes de Almeida
Julia Lopes de Almeida
Author · 12 books
The first Brazilian woman to lead what can legitimately be called a career as an author, Júlia Valentina de Silveira Lopes de Almeida was a novelist and playwright, an advocate for women's education and other progressive social reform, and an all-around intellectual. Though she was immensely popular in the late 19th and early 20th Century, her works were forgotten soon after her death, largely due to the country's literary trajectory toward modernism. Recently, however, scholars and readers have begun to unearth and rediscover the pleasures and technical merits of the vast and diverse body of literature she left behind.
Machado de Assis
Machado de Assis
Author · 124 books

Joaquim Maria Machado de Assis, often known as Machado de Assis, Machado, or Bruxo do Cosme Velho, (June 21, 1839, Rio de Janeiro—September 29, 1908, Rio de Janeiro) was a Brazilian novelist, poet, playwright and short story writer. He is widely regarded as the most important writer of Brazilian literature. However, he did not gain widespread popularity outside Brazil in his own lifetime. Machado's works had a great influence on Brazilian literary schools of the late 19th century and 20th century. José Saramago, Carlos Fuentes, Susan Sontag and Harold Bloom are among his admirers and Bloom calls him "the supreme black literary artist to date."

Fagundes Varela
Fagundes Varela
Author · 2 books
Luís Nicolau Fagundes Varela was a Brazilian Romantic poet, adept of the "Ultra-Romanticism" movement. Some of Varela's poems have an unusual theme for the Ultra-Romanticism: the Abolitionism. Because of that, he is considered to be one of the forerunners of the "Condorism", alongside Junqueira Freire, another Ultra-Romantic poet who spoke of the Abolitionism in some of his poems.
Inglês de Sousa
Inglês de Sousa
Author · 3 books

Inglês de Sousa (Herculano Marcos Inglês de Sousa), advogado, professor, jornalista, contista e romancista, nasceu em Óbidos, PA, em 28 de dezembro de 1853, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de setembro de 1918. Compareceu às sessões preparatórias da criação da Academia Brasileira de Letras, onde fundou a cadeira nº 28, que tem como patrono Manuel Antônio de Almeida. Na sessão de 28 de janeiro de 1897 foi nomeado tesoureiro da recém-criada Academia de Letras. Fez os primeiros estudos no Pará e no Maranhão. Diplomou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, em 1876. Nesse ano publicou dois romances, O cacaulista e História de um pescador, aos quais seguiram-se mais dois, todos publicados sob o pseudônimo Luís Dolzani. Com Antônio Carlos Ribeiro de Andrade e Silva publicou, em 1877, a Revista Nacional, de ciências, artes e letras. Foi presidente das províncias de Sergipe e Espírito Santo. Fixou-se no Rio de Janeiro, como advogado, banqueiro, jornalista e professor de Direito Comercial e Marítimo na Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais. Foi presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros. Foi o introdutor do Naturalismo no Brasil, mas seus primeiros romances não tiveram repercussão. Tornou-se conhecido com O missionário (1891), que, como toda sua obra, revela influência de Zola. Nesse romance, descreve com fidelidade a vida numa pequena cidade do Pará, revelando agudo espírito de observação, amor à natureza, fidelidade a cenas regionais. Escreveu diversas obras jurídicas e colaborou na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Aluísio Azevedo
Aluísio Azevedo
Author · 11 books

Era filho do português David Gonçalves de Azevedo e de Emília Amália Pinto de Magalhães. Seu pai era viúvo e a mãe era separada do marido, algo que configurava grande escândalo na sociedade da época. Foi irmão do dramaturgo e jornalista Artur Azevedo. Desde cedo dedicou-se ao desenho através de caricaturas e à pintura. Em 1876 viaja ao Rio de Janeiro, a fim de estudar Belas Artes, obtendo desde então sustento com seus desenhos para jornais. Com o falecimento do pai em 1879, volta para o Maranhão, onde começa finalmente a escrever. E em 1881, publica O Mulato, obra que choca a sociedade pela sua forma crua ao desnudar a questão racial. O autor já era abolicionista convicto. O sucesso desta habilita-o a voltar para a Capital do Império, onde escreve incessantemente novos romances, contos, crônicas e até peças teatrais. Sua obra é vista como irregular por diversos críticos, uma vez que oscilava entre o Romantismo açucarado, com cunho comercial e direcionado ao grande público, e outras mais elaboradas, pois deixava a sua marca de grande escritor naturalista. Feito diplomata, em 1895, serve em diversos países, inclusive o Japão. Chega finalmente, em 1910, a Buenos Aires, cidade onde veio a falecer menos de três anos depois.

Joaquim Manuel de Macedo
Joaquim Manuel de Macedo
Author · 7 books

Joaquim Manuel de Macedo (June 24, 1820 — April 11, 1882) was a Brazilian novelist, medician, teacher, playwright and journalist, famous for the romance A Moreninha. He is the patron of the 20th chair of the Brazilian Academy of Letters. Joaquim Manuel de Macedo was born in the city of Itaboraí, in 1820, to Severino de Macedo Carvalho and Benigna Catarina da Conceição. Graduated in Medicine in 1844, he started to practice it in the inlands of Rio. In the same year, he published his romance A Moreninha. In 1849, he founded the magazine Guanabara, along with Manuel de Araújo Porto-alegre and Gonçalves Dias. In this magazine, many parts of his poem A Nebulosa were published. Returning to Rio, he abandoned Medicine and became a teacher of History and Geography at the Colégio Pedro II. He was very linked to the Brazilian Royal Family, even becoming a tutor for Princess Isabel's children. He was also a provincial deputy and a general deputy, and a member of the Brazilian Historic and Geographic Institute. During his last years of life, he suffered mental disturbies. Those disturbies deteriorated his health and made him die in May 11, 1882. He was married to Maria Catarina de Abreu Sodré, the cousin of Álvares de Azevedo. From Wikipedia

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