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Três retratos
Salazar, Cunhal, Soares
2020
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Neste livro, António Barreto faz o retrato dos três portugueses que mais influenciaram o nosso século xx. Mas não os retrata como figuras independentes, antes os combina e contrasta. Salazar, que instaurou o Estado Novo, enfrentou, a partir de dada altura, como principal dirigente da oposição política e cultural à sua ditadura Álvaro Cunhal. Mário Soares, que impulsionou o regime democrático, teve de vencer as pretensões do PCP de transformar a ruptura do 25 de Abril numa nova ditadura. «Salazar era profundamente conservador e reaccionário, mas deixou o seu nome associado a uma “revolução nacional” que outros fizeram e ele moldou a seu prazer. Teve o poder todo, que recebeu dos militares e da Igreja, acabou por submeter quem esteve na sua origem e exerceu o poder à força do Estado e da sua vontade. O povo nunca lhe deu explicitamente o poder, mas deixou-o ficar e sobreviver, pelo menos não soube nem quis afastá-lo. Cunhal era revolucionário, pretendeu ter o poder todo, só queria mesmo o poder se fosse todo e por inteiro, percebeu luminosamente que, mesmo ao serviço do “internacionalismo comunista”, teria de utilizar a energia nacional. Quase fez uma revolução, quase exerceu o poder. O povo não lhe deu o poder, rejeitou-o expressamente, mas uma parte desse mesmo povo incensou-o e deu-lhe uma reputação invulgar: derrotado em vida, morreu como se tivesse sido um vencedor. Soares, finalmente. Foi tudo, conservador, revolucionário, liberal, jacobino, burguês e popular. Teve muito poder, que nunca usurpou, recebeu-o sempre do povo eleitor, que também soube derrotá-lo quando quis. Foi o que mais liberdade deu aos seus compatriotas, mas nunca chegou a ser um mito ou uma crença, como Salazar e Cunhal. Ao contrário deles, nunca foi temido ou receado.»

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Author

António Barreto
António Barreto
Author · 2 books

ANTÓNIO BARRETO nasceu a 30 de Outubro de 1942, na Foz do Douro, Porto. Viveu em Vila Real até terminar o Liceu. Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra. Viveu na Suíça, como exilado político, de 1963 a 1974. Licenciou-se em Sociologia em 1968. Trabalhou na Universidade de Genebra e no Instituto de Pesquisas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. Regressou a Portugal em 1974. Foi professor nas Faculdades de Ciências Sociais e Humanas e de Direito da Universidade Nova de Lisboa, investigador na Universidade Católica e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa até 2008. Doutorou-se em Sociologia, em 1985, na Universidade de Genebra. Foi deputado à Assembleia Constituinte (1975-1976) e à Assembleia da República (1985-1991), assim como Secretário de Estado do Comércio Externo do VI Governo Provisório (1975-1976), Ministro do Comércio e Turismo e Ministro da Agricultura e Pescas do I Governo Constitucional (1976-1978). Foi galardoado com o Prémio Montaigne de 2004. Sócio da Academia das Ciências desde 2008, é também Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos desde 2009. Colunista do jornal Público desde 1991. Publicou Anatomia de uma Revolução, Tempo de Mudança, Sem Emenda, Tempo de Incerteza, A Situação Social em Portugal, 1960-1999 e Anos Difíceis.

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