
Vai, Carlos!
2022
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«Vai, Carlos! ser gauche na vida»: com este imperativo, atribuído a um «anjo torto/desses que vivem na sombra» na primeira estrofe do primeiro poema do primeiro livro de Carlos Drummond de Andrade, insinua-se na sua obra a figura da improbabilidade da condição de poeta e do lugar para a poesia no mundo moderno. Os quatro primeiros livros que aqui retomamos - Alguma poesia, Brejo das Almas, Sentimento do mundo e José - declinam de vários modos este sentimento de inadequação ou inabilidade, indissociável da condição irónica do poeta, como Drummond parece assinalar num balanço feito nos mesmos anos em que reunia pela primeira vez, no volume Poesias (1942), a sua obra publicada: «meu progresso é lentíssimo, componho muito pouco, não me julgo substancialmente e permanentemente poeta». É a configuração dessa primeira reunião, que fechava o início da sua trajectória, que este livro reproduz: um núcleo orgânico em que se comprava que o «primeiro Drummond» já era, desde sempre, o nome de um rumo determinante da poesia brasileira do século XX.
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Carlos Drummond de Andrade
Author · 30 books
Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista "A Revista". Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.