
«Viradas as páginas de Versos de Fazer Ó-Ó, assistimos à poetização (com recurso a estruturação estrófica e rimática) de um universo mítico, através da idealização de imagens oníricas e de encontros sucessivos com o imaginário e com o sonho, aqui ternamente exaltado. Na realidade, este microcosmos, no qual co-habitam personagens humanas e entidades mágicas, fantásticas e maravilhosas, encontra-se adequado às preferências de um público infantil, natural e inconscientemente interessado num discurso dominado pelo encantamento. Por isso, tropeçamos constantemente em elementos deslumbrantes e/ou fantasmagóricos que povoam a infância e que obrigam a recorrer, sem que disso quase se dê conta, às memórias textuais herdadas da tradição oral. Aliás, esta proximidade com a tradição literária oral traduz-se não só numa reinvenção temática, por exemplo, ao nível da recuperação de certas figuras, como o João Pestana ou o Papão, por exemplo, mas também no recurso a processos técnico-expressivos típicos desse património, como as aliterações, as repetições vocabulares ou as estruturas anafóricas enfim, alguns “dos segredos e das potencialidades da língua materna” que o contacto com a actual literatura infantil permite conhecer.[...] Sara Reis da Silva http://ler.letras.up.pt/uploads/fiche...