
Quantos Rios de Janeiro existem ou coexistem no Rio de Janeiro? Quantos para você chamar de seu? Temos todos essa ideia de um Rio de Janeiro que se perdeu, que não é mais como era. Muitos de nós, a maioria talvez, nem chegaram a conhecer esse Rio perdido. Ele existe como sombras, relíquias, sinais numa esquina em que resta certo bar. Então vamos redescobrindo essa cidade soterrada como os astrônomos descobrem planetas, indiratamente, pela sua ação sobre outros corpos. Como o Rio de Janeiro foi uma cidade muito cantada, falada, documentada, parece que todos nós moramos nela através das décadas e saímos a procurá-la. Tentando identificar essa saudade. No entanto não é preciso ter saudade porque tem um Rio de Janeiro que está aqui e agora. João Paulo Quenca reune em seu novo livro, A última madrugada, uma série de crônicas publicadas entre 2003 e 201o e que traçam linhas de passagem por um Rio ora imaginário, ora sólido como as rochas que o adornam. São passeios pela madrugada, bares e ruas por onde passam os cariocas, nativos ou não, em busca daquele algo que para eles compõe a cidade. E J. P. Cuenca os encara, pessoas, ladrilhos, praças e bares com um olhar que só mesmo um cronista tem, esse olhar ao mesmo tempo crítico e terno. Que desnuda e também redime. Ler o livro de Cuenca é andar a esmo pelo Rio, reconhecer que ele não está no óbvio, naquilo que nos vendem como Rio de Janeiro. Que é preciso espreitar e entender que o que se insinua numa esquina é uma oportunidade de se fazer presente na cidade. E a cidade está disposta em camadas e camadas que não são impenetráveis. São translúcidas e cabe a nós um olhar diferente da nostalgia e dos modismos que nos cercam e nos cegam.
Author

João Paulo Cuenca é formado em economia pela UFRJ, mas começou sua trajetória literária no Folhetim Bizarro (1999-2001), um blog de diálogos na internet. Ao mesmo tempo, começou a escrever o seu primeiro romance Corpo Presente, sendo chamado a publicá-lo pela editora Planeta em 2003. No mesmo ano o autor foi palestrante convidado da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty. Nos anos seguintes participou da Feira do Livro de Madrid, na Espanha, do Hay Festival Cartagena das Índias, na Colômbia, da Feira Internacional do Livro de Lima, no Peru, do Correntes D´escritas, em Portugal, da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, entre outros. Em 2007, foi selecionado pelo Festival de Hay e pela organização do festival Bogotá Capital Mundial do Livro como um dos 39 autores mais destacados da América Latina com menos de 39 anos. J.P. Cuenca escreveu crônicas semanais para a Tribuna da Imprensa e para o Jornal do Brasil entre 2003 e 2005. Teve uma coluna mensal na Revista TPM entre 2004 e 2006. Foi cronista do suplemento Megazine do jornal O Globo entre 2006 e 2010. Desde 2009 João Paulo Cuenca é comentarista de cultura do Estúdio i, da Globo News. Em 2012 a editora LeYa publicou o livro A Última Madrugada, em que o personagem é a cidade, esta que figura como foco principal do livro. A obra reuniu crônicas publicadas em jornais entre 2003 e 2010, período em que o autor escreveu semanalmente para a Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil e O Globo. Cuenca foi selecionado em 2012 como um dos 20 melhores jovens escritores da revista britânica Granta, "que indica os nomes que irão construir o mapa da literatura brasileira". No Brasil a revista é publicada pelo selo Alfaguara, que pertence à editora Objetiva. Fonte: Wikipédia