No 'Caderno H' o leitor poderá encontrar virtualmente tudo; infância, lembranças, cenas cotidianas, o mundo dos objetos que nos cercam, meditações sobre o tempo e a poesia, Deus, desejo, morte. Como um grande almanaque anual, nele se apresentam desde temas grandiosos ou graves até situações as mais comezinhas ou observações que privilegiam os aspectos marginais das coisas e da realidade. Pela própria natureza dos epigramas, o livro é uma coleção inumerável de ditos mordazes, picantes, zombeteiros, mas tudo isso de forma leve, delicada e urbana, num cenário em que a ironia inclui, necessariamente, o próprio poeta, perplexo diante do nonsense do mundo, irmanado ao leitor. Mas o que sobretudo surpreende é a capacidade de observações acuradas a partir de uma imagem pescada do cotidiano e que sempre esteve ali sem que a víssemos, que tocam questões de grande profundidade, quer filosófica ou estética, porque dizem respeito ao problema da representação.