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Cinema - Arte & Indústria
2009
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O cinema é arte ou meio de comunicação? Arte a serviço da estética ou indústria de entretenimento? Esse dúplice aspecto tem levado os estudiosos, ao longo dos mais de cem anos que nos separam do advento do cinema, a pesquisar ora a sua visão estética, ora o impacto dos filmes no mercado consumidor. 'Cinema - Arte & Indústria', de Anatol Rosenfeld, disseca esses aspectos, repassando a história do cinema, examinada por alguém que, fundamentado em sólida formação cultural e também em outras áreas, domina a linguagem cinematográfica e esmiúça detalhes por vezes técnicos, lastreado numa curiosidade permanente e no embasamento vivencial que impregnam o seu trabalho. Trata-se de um livro que introduzirá o leitor, pelas agudas abordagens e análises filosóficas e artísticas do ensaísta, na tessitura do pensamento estético-cinematográfico, que decorre não menos de suas vivências e experiências num momento histórico relevante na Alemanha pré-hitlerista, o qual foi na verdade uma fase áurea da configuração e sedimentação da linguagem fílmica.
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Anatol Rosenfeld
Anatol Rosenfeld
Author · 3 books

Anatol H. Rosenfeld (Alemanha 1912 - São Paulo SP 1973). Crítico e teórico. Importante filósofo, ensaísta e crítico de origem germânica, Anatol Rosenfeld torna-se um dos grandes intelectuais do panorama paulista dos anos 1960 e 1970, legando uma série de obras e escritos de indiscutível acuidade analítica, ainda hoje referências para a compreensão de aspectos da cultura alemã e brasileira do período. Não existem registros sobre sua exata procedência, mas sabe-se que estuda, entre 1930 e 1934, filosofia, letras e história na Universidade de Berlim. Radica-se no Brasil em 1937, para fugir das perseguições nazistas. Enquanto aprende a nova língua, é lavrador e caixeiro viajante. Já em São Paulo, nos primeiros anos da década de 1950, passa a freqüentar reuniões das colônias judaica e alemã, através das quais se aproxima do mundo intelectual. Torna-se jornalista e redator da Crônica Israelita, jornal quinzenal da Congregação Israelita Paulista, e correspondente de um jornal suíço de língua alemã. Dirige, para a editora Herder, a coleção O Pensamento Estético, vertendo dos originais alemães para o português importantes títulos, especialmente ligados aos períodos clássico e romântico. Sobrevive por meio de aulas particulares e, tendo aprendido a exprimir-se com desenvoltura e elegância em português, embrenha-se pelos caminhos da cultura brasileira. Colabora para o jornal do Han Staden Institute, escrevendo sobre literatura brasileira. Em 1956, indicado por Antônio Cândido, passa a dirigir a seção Letras Alemãs, do Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, espaço onde divulgará autores germânicos de todas as épocas. No início dos anos 1960 passa a dar aulas na Escola de Arte Dramática - EAD, ocasião em que estreita vínculos com a atividade teatral, distinguindo-se pelos contatos com os artistas ligados aos espetáculos, antes ou depois das estréias, ocasiões em que o diálogo serve de suporte para longas e minuciosas análises. Em 1964 inicia a publicação de críticas teatrais, como colaborador, em diversos órgãos de imprensa. Seu primeiro trabalho publicado é Doze Estudos, em 1959, basicamente dedicado à literatura alemã. O Teatro Épico, de 1965, expõe suas reflexões não só sobre o gênero como divulga, em primeira mão, as teorias de Bertolt Brecht. E O Teatro Alemão, súmula histórica lançada em 1968, enfeixa uma primorosa coleção de ensaios dedicados a aspectos históricos e autores germânicos. Texto e Contexto, volume de 1971, surge pouco antes de morrer, contendo alguns ensaios tornados clássicos, como O Fenômeno Teatral, O Teatro Agressivo e A Visão Grotesca, além de estudos sobre temas históricos e literários. Sua biblioteca e manuscritos de teatro são doados à Biblioteca do Museu Lasar Segall e pesquisados, durante muito tempo, por Nanci Fernandes. O material coligido permite o lançamento, em 1993, de sete volumes, reunindo, por temas ou afinidades, a vasta obra legada por Anatol, pela Editora Perspectiva, organizada pelo editor Jacó Guinsburg, parte com Nanci Fernandes e outra com Abílio Tavares. Desse conjunto, ao menos três títulos agrupam escritos relacionados ao teatro. Texto e Contexto II, aborda, com perspicácia, autores e obras. Prismas do Teatro oferece, em finíssima análise, denominada Sobre Teatro, um debruçamento sobre os nexos existentes entre a criação do texto, sua transposição para o palco e a interpretação do ator, fases distintas do fazer teatral. Em O Mito e o Herói no Moderno Teatro Brasileiro, a problemática do herói - enfatizada na aguda discussão sobre o Sistema Coringa - é levada a efeito, situando quer a literatura popular quanto a erudita. Numa avaliação de conjunto sobre suas posições, o professor de estética Jacó Guinsburg destaca: "O modelo que se pode projetar para seu pensamento é o de Thomas Mann. Sua afinidade com o espírito e a obra deste escritor era extrema. Nos cursos que ministrou sobre ele e na exegese de suas criações literárias, fazia caminhar a elaboração ficcional e fi

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