O único critério de verdade que preside ao conhecimento do mundo exterior é a prática social. E o "espaço literário" só pode ser assumido, seriamente, quando se lhe ache ligado - subordinado e subordinante, dependente dela e, simultaneamente, recriando-a. Mas de que prática logrará falar o escritor bloqueado na "ilha"? Eis o que, definitivamente, o compromete. Fazer ou não dessa aventura o modo de se envolver no sangue e na insónia dos companheiros da "ilha", o lugar que o justifique (ou não) perante eles e perante si mesmo, é o "jogo" do qual depende a sua miséria ou a sua grandeza. Porque, não o esqueçamos, ele corre sempre o risco de não ouvir senão os seus próprios passos no labirinto... Na forçada brevidade destas linhas encontras-se-á, supomos, um subsídio para uma análise correcta desta obra de Urbano Tavares Rodrigues que ora se propõe.