"Não sei ao certo onde nasci, apenas que o castelo era infinitamente antigo e infinitamente horrível, repleto de passagens escuras e altos tetos onde vislumbravam-se apenas teias de aranha e sombras. As pedras nos corredores decrépitos pareciam sempre infiltradas pela umidade, e havia um maldito fedor em toda parte, como se emanasse do acúmulo dos cadáveres das gerações mortas. Nunca adentrava luz no castelo, de forma que eu costumava acender velas e olhar fixamente para elas para consolar-me da escuridão, e mesmo do lado de fora a luz do sol jamais incidia, pois as terríveis árvores projetavam-se para o alto, além da mais elevada das torres acessíveis. Havia apenas uma torre negra que ultrapassava as árvores até o incógnito céu acima, mas ela encontrava-se parcialmente arruinada e era impossível subi-la a não ser pela impossível escalada do muro nu, pedra após pedra."