Este livro tem como objecto o estudo da chamada questão religiosa nas duas casas do Parlamento entre 1821 e 1910. Nele se encontram reunidos os principais debates sobre a matéria e a sua interpretação à luz de uma metodologia actualizada. Na verdade, os debates parlamentares sobre os assuntos eclesiásticos ficaram marcados pela ideologia da esmagadora maioria dos parlamentares, claramente regalista. Assimilada na cadeira de Direito Eclesiástico da Faculdade de Direito de Coimbra esta teoria política elaborada no século XVIII e adoptada pelos manuais universitários em oitocentos, a doutrina fundamentou uma posição por parte dos deputados e pares do Reino configurada na supremacia do poder civil sobre a esfera eclesiástica.