O imenso apoio popular ao golpe militar de 25 de Abril de 1974 transformou o processo que se iniciava às primeiras horas desse dia num movimento revolucionário sem precedentes na nossa História recente. Os que inicialmente tentaram conter a amplitude e os rumos dos tempos que se anunciavam não tiveram sucesso. É nesse contexto que desde início não houve lugar para que a transição para a democracia pudesse manter as principais instituições repressivas do regime deposto ou colocar à margem partidos políticos como o Partido Comunista Português, que tinha sido em permanência o principal fautor da resistência antifascista e o principal incentivador da unidade das oposições. [§] Partindo muito jovem e débil nos últimos anos do primeiro parlamentarismo republicano, o PCP surgia, quase meio século depois, como a força política com maior capacidade de atração do ativismo militante. Centenas de homens e mulheres de diferentes profissões e diferentes gerações, que eram militantes, quadros e dirigentes comunistas emergiram da clandestinidade, saíram das cadeias, regressaram do exílio. [Da introd.]